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A história da Língua Portuguesa: parte 1

O atual Portugal encontra-se na Península Ibérica ancestralmente habitada pelos homens do período paleolítico. O homem desse período, a diferença do imaginário popular, comunicava-se, sabia lidar com alguns instrumentos que ele próprio fabricava, fazia fogo, sepultava os mortos em campa rasa, habitava cavernas, marcava desenhos e gravava em pedra – todas formas de comunicação!

No período neolítico, o sul da região já estava habitado por tribos autóctones, etnicamente distintas entre si: pelos túrdulos (no leste da atual província de Alentejo e ao longo do vale do rio Guadiana) e pelos cônios (nas atuais províncias do Algarve e do Baixo Alentejo).

No século 7 a. C., a região passou também a ser habitada por tribos protocélticas, cujo léxico é amplamente considerado como o primeiro a se espalhar na atual Europa Atlântica; sendo as mesmas: os lusitanos (na porção oeste), os galaicos e os brácaros (no noroeste), os célticos (no sul), os coelernos (entre os rios Tua e Sabor), os equesos (na Serra de Bornes e cimos de Mogadouro), os gróvios (no vale do rio Minho), os interamnicos (no trás-os-Montes), os leunos (entre os rios Lima e Minho), os luancos (entre os rios Tâmega e Tua), os límicos (na nascente do rio Lima), os narbasos (no interior), os nemetatos (nas proximidades do rio Ave), os pésures (entre os rios Douro e Vouga), os quaquernos (na nascente dos rios Cávado e Tâmega), os seurbos (entre os rios Cávado e Lima), os tamagani (nas margens do rio Tâmega), os taporos (ao norte do rio Tejo), os zoelas (nas Serras da Nogueira, Seabra, Culebra e Santa Comba) e, finalmente, os turodos (no extremo norte de trás-os-Montes) sem contar os gregos e os fenícios-cartagineses que estabeleceram na região portos comerciais.

No século 3 a. C., os romanos penetraram na região retirando, em conceito de espólio da Segunda Guerra Púnica, o tesouro de todas estas tribos citadas (sendo o mesmo estimado, na totalidade da Península Ibérica, em quatro toneladas de ouro e oitocentas toneladas de prata). Viriato, líder dos lusitanos, conseguiu conter a expansão durante alguns anos fazendo que o seu fosse um dos últimos territórios anexados à Roma. Mas com a anexação do território, desenvolveu-se o contato com os soldados e colonos romanos ocorrendo, depois de um período de multilinguismo, a predominância do latim falado.

Castromao

Castromao, fortificação da Idade do Ferro.

O certo é que as línguas não podem ter nascido por convenção já que, para se porem de acordo sobre as suas regras os homens necessitariam de uma língua anterior; mas se esta última existisse, por que razão se dariam os homens ao trabalho de construir outras, empreendimento esforçado e sem justificação (Umberto Eco)?

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