Hífen: parte 4

Vamos ver outro caso no qual não usamos hífen!?

– Quando o prefixo de uma palavra composta termina em vogal e o elemento seguinte começa por vogal.

Então, se anti acaba em i e aéreo começa por a, ortografamos antiaéreo.

Lembrando:

infraetrutura
autoajuda

_______

Assim, esta semana, encaixamos duas peças do nosso novo quebra-cabeça. Vamos rever!?

Não é para usar hífen:
– Nas palavras compostas quando o prefixo termina em vogal e o seguinte começa com uma vogal diferente (ex. antiaéreo).
– Nas palavras compostas quando o prefixo termina em vogal e o elemento seguinte começa por consoante. Se a consoante for um “r” ou “s”, ela fica dobrada (ex. ultrassonografia).

Deixe um comentário

Arquivado em Ortografia

Hífen: parte 3

Em Hífen: parte 1, vimos que não usamos hífen nas palavras compostas cujo prefixo termina em vogal e o elemento seguinte começa por consoante (ex. multilinguismo). Agora, precisamos aprender que:

– Se a consoante do elemento seguinte for r ou s, ela fica dobrada!

Lembrando:

infrassom
neorrepublicano
pseudossábio
semisselvagem
suprarrenal
ultrassensível
antessala
arquirrabino

Deixe um comentário

Arquivado em Ortografia

Hífen: parte 2

Em Hífen: parte 1, aprendemos que não usamos hífen nas palavras compostas cujo prefixo termina em vogal e o elemento seguinte começa por consoante (ex. multilinguismo). Também, vimos que Cegalla já nos advertia que a questão do hífen é um verdadeiro quebra-cabeça.

Quebra-cabeça? Mas se quebra termina em a e cabeça começa por c, quebra-cabeça não perdeu o hífen!?

Consultando o Vocabulário ortográfico da língua portuguesa (VOLP), a lista oficial com a grafia correta das palavras, confirmamos que não: “quebra-cabeça (QUEBRA-CABEÇA, 2009, p. 690)”.

Explicação?

Emprega-se o hífen nas palavras compostas por justaposição que não contêm formas de ligação e cujos elementos, de natureza nominal, adjetival, numeral ou verbal, constituem uma unidade sintagmática e semântica e mantêm acento próprio, podendo dar-se o caso de o primeiro elemento estar reduzido: ano-luz, arcebispo-bispo, arco-íris, decreto-lei, és-sueste, médico-cirurgião, rainha-cláudia, tenente-coronel, tio-avô, turma-piloto; alcaide-mor, amor-perfeito, guarda-noturno, mato-grossense, norte-americano, porto-alegrense, sul-africano; afro-asiático, afro-luso-brasileiro, azul-escuro, luso-brasileiro, primeiro-ministro, primeiro-sargento, primo-infecção, segunda-feira; conta-gotas, finca-pé, guarda-chuva (ACORDO, 2009, p. XXVI).

Resumindo, é para usar hífen nas palavras compostas cuja noção de composição se mantêm (ex. quebra-cabeça)!

Lembrando:

grãfino
vicediretor

Polêmico? Sim, se para um etimologista pode ser difícil saber quando a noção de composição se perdeu ou se mantêm, imagine para nós, leigos! Exemplo? Paraquedas versus para-raios!
——
Referência bibliográfica:

ACORDO ortográfico da Língua Portuguesa (1990). In: ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS. Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa. 5 ed. São Paulo: Global, 2009. p. XV-XLIII.
QUEBRA-CABEÇA. In: ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS. Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa. 5 ed. São Paulo: Global, 2009. p. 690.

Deixe um comentário

Arquivado em Ortografia

Hífen: parte 1

As palavras compostas deixam dúvidas que podem nos atormentar. Por exemplo, multilinguismo ganhou ou perdeu hífen!? Perdeu!!

Agora, de acordo com a nova ortografia, é hora de aprender que:

– Quando o prefixo de uma palavra composta termina em vogal e o elemento seguinte começa por consoante, não usamos hífen.

Então, se multi acaba em i e linguismo começa por l, ortografamos multilinguismo.

Lembrando:

cofundador

Contudo, como a Novíssima Gramática da Língua Portuguesa já dizia:

O emprego do hífen é matéria extremamente complexa e mal disciplinada (…), sobretudo no que diz respeito ao uso desse sinal em palavras formadas por prefixação, onde mais palpáveis são as falhas e incongruências. Para quem escreve, o emprego do hífen é um autêntico quebra-cabeça (CEGALLA, 1980, p. 34).

Deixe um comentário

Arquivado em Ortografia

A história da Língua Portuguesa: parte 1

O atual Portugal encontra-se na Península Ibérica ancestralmente habitada pelos homens do período paleolítico. O homem desse período, a diferença do imaginário popular, comunicava-se, sabia lidar com alguns instrumentos que ele próprio fabricava, fazia fogo, sepultava os mortos em campa rasa, habitava cavernas, marcava desenhos e gravava em pedra – todas formas de comunicação!

No período neolítico, o sul da região já estava habitado por tribos autóctones, etnicamente distintas entre si: pelos túrdulos (no leste da atual província de Alentejo e ao longo do vale do rio Guadiana) e pelos cônios (nas atuais províncias do Algarve e do Baixo Alentejo).

No século 7 a. C., a região passou também a ser habitada por tribos protocélticas, cujo léxico é amplamente considerado como o primeiro a se espalhar na atual Europa Atlântica; sendo as mesmas: os lusitanos (na porção oeste), os galaicos e os brácaros (no noroeste), os célticos (no sul), os coelernos (entre os rios Tua e Sabor), os equesos (na Serra de Bornes e cimos de Mogadouro), os gróvios (no vale do rio Minho), os interamnicos (no trás-os-Montes), os leunos (entre os rios Lima e Minho), os luancos (entre os rios Tâmega e Tua), os límicos (na nascente do rio Lima), os narbasos (no interior), os nemetatos (nas proximidades do rio Ave), os pésures (entre os rios Douro e Vouga), os quaquernos (na nascente dos rios Cávado e Tâmega), os seurbos (entre os rios Cávado e Lima), os tamagani (nas margens do rio Tâmega), os taporos (ao norte do rio Tejo), os zoelas (nas Serras da Nogueira, Seabra, Culebra e Santa Comba) e, finalmente, os turodos (no extremo norte de trás-os-Montes) sem contar os gregos e os fenícios-cartagineses que estabeleceram na região portos comerciais.

No século 3 a. C., os romanos penetraram na região retirando, em conceito de espólio da Segunda Guerra Púnica, o tesouro de todas estas tribos citadas (sendo o mesmo estimado, na totalidade da Península Ibérica, em quatro toneladas de ouro e oitocentas toneladas de prata). Viriato, líder dos lusitanos, conseguiu conter a expansão durante alguns anos fazendo que o seu fosse um dos últimos territórios anexados à Roma. Mas com a anexação do território, desenvolveu-se o contato com os soldados e colonos romanos ocorrendo, depois de um período de multilinguismo, a predominância do latim falado.

Castromao

Castromao, fortificação da Idade do Ferro.

O certo é que as línguas não podem ter nascido por convenção já que, para se porem de acordo sobre as suas regras os homens necessitariam de uma língua anterior; mas se esta última existisse, por que razão se dariam os homens ao trabalho de construir outras, empreendimento esforçado e sem justificação (Umberto Eco)?

1 comentário

Arquivado em História